Nossa atuação no Brasil

Saiba o que MSF está fazendo para combater a epidemia do novo coronavírus no país.

Foto: Diogo Galvão/MSF

Com a chegada da pandemia do novo coronavírus ao Brasil e a rápida expansão dos casos, MSF mobilizou um volume inédito de recursos humanos e materiais em nosso país e conseguiu rapidamente iniciar atividades direcionadas ao atendimento das populações mais vulneráveis: pessoas em situação de rua, migrantes e refugiados, indígenas, dependentes químicos e idosos. Essas populações, que já se encontravam em estado de grande vulnerabilidade mesmo antes da pandemia, passaram a enfrentar uma situação ainda mais grave. Desde o início da pandemia, já atuamos em São Paulo, Rio de Janeiro, Aquidauana, Corumbá e Amambaí (MS), Boa Vista (RR), Manaus e em outras duas cidades do Amazonas.

Como organização de emergência, MSF procura responder o mais rapidamente possível às demandas urgentes. Posteriormente, transfere sua gestão ao poder público ou a outras organizações. Também estamos atentos à evolução da doença para estruturar com a máxima prontidão novas ações de emergência onde seja mais necessário. Veja a seguir um resumo de nossas atividades relacionadas à pandemia do novo coronavírus no Brasil:

São Paulo

Atuamos na assistência médica a moradores de regiões da periferia e de favelas do município. Foram realizadas consultas médicas para detecção de casos suspeitos de COVID-19 e triagem com encaminhamento dos doentes em estado moderado para centros de isolamento e daqueles em estado grave para hospitais. O trabalho também incluiu orientações de higiene e distanciamento social àqueles com sintomas, para tentar evitar a disseminação do novo coronavírus.

 

Foto: Andre Francois / Médecins Sans Frontières

 

Até o início de outubro, trabalhamos na assistência a casos graves, contribuindo com oito leitos da UTI do Hospital Tide Setúbal, na zona leste da capital. Na mesma região, atuamos em comunidades com triagem de casos suspeitos e educação em saúde.

Depois de obter resultados positivos com a melhora dos índices de recuperação de pacientes na UTI, a gestão dos leitos foi transferida ao próprio hospital. Mas passamos a trabalhar na mesma unidade, em novembro, com a prestação de cuidados paliativos. Os cuidados são oferecidos de forma complementar para alívio de sintomas a pacientes em estado grave que não apresentem boa resposta ao tratamento.

Anteriormente, MSF realizou atendimento médico de casos moderados da doença em centros de tratamento construídos pela prefeitura, com um total de 140 leitos, especialmente para acolher pessoas em situação de rua. Trabalhamos também com jovens em centros de detenção para adolescentes e estivemos presentes no atendimento a pessoas que fazem uso de drogas na área conhecida como Cracolândia, levando informações sobre prevenção e contágio da doença e detectando casos suspeitos. Logo no início da pandemia, estivemos na região central da cidade fazendo triagem e ações de educação em saúde para pessoas em situação de rua.

Mato Grosso do Sul

MSF atuou em 11 comunidades indígenas da região de Aquidauana entre o final de agosto e meados de outubro. O trabalho foi feito em conjunto com as secretarias de saúde do Estado e do município, além dos organismos responsáveis pela saúde indígena. A principal estratégia para realizar a detecção de casos da doença e disseminar ações de prevenção foi a realização de visitas com equipes móveis, percorrendo aldeias da região que têm tido dificuldades de acesso à saúde em meio a altos índices de contágio pelo novo coronavírus. MSF também apoiou com profissionais, treinamentos e fornecimento de equipamentos de proteção o hospital municipal de Aquidauana.

Em Corumbá, uma equipe de MSF atuou entre setembro e outubro na prevenção, detecção e tratamento da COVID-19 entre servidores e detentos no presídio masculino da cidade sul-matogrossense. A solicitação foi feita pela Secretaria de Saúde do Estado, já que nos locais praticamente não havia acesso a cuidados médicos, com índices de contaminação elevados. Também foram realizados treinamentos para prevenção e controle de infecções na penitenciária feminina da cidade.

O trabalho de MSF no Estado também incluiu a cidade de Amambaí, com treinamentos de prevenção e controle de infecções para equipes de saúde locais realizados no mês novembro.

Boa Vista

Nos últimos anos, Roraima recebeu uma grande quantidade de migrantes. No final de 2018, MSF iniciou as atividades de seu projeto em Boa Vista, com o objetivo de apoiar o já fragilizado sistema de saúde local. Com a pandemia, MSF manteve seu projeto e adaptou parte das ações para o combate à COVID-19.

Entre junho e o início de setembro colaboramos com o atendimento dos pacientes no hospital de campanha erguido especialmente para os pacientes com COVID-19 em Roraima. MSF apoiou as atividades desta unidade com atendimentos médicos dos pacientes e assistência em saúde mental. Entre junho e o começo de agosto, realizamos treinamento em cuidados intensivos e supervisão das atividades da UTI, e o trabalho foi importante para viabilizar o funcionamento efetivo das instalações médicas.

Também temos realizado triagem de pacientes em locais frequentados pelos migrantes, como abrigos informais. Adicionalmente, foram realizadas melhorias nas condições de higiene e acesso à água para essa população, com promoção de saúde e distribuição de kits de higiene.

Amazonas

Depois de trabalharmos durante o pico da epidemia em Manaus, atuamos em duas localidades remotas do interior do estado, os municípios de São Gabriel da Cachoeira e Tefé.

Tefé, que fica a um dia e meio de barco da capital, Manaus, é um importante ponto de referência para a região do Médio Rio Solimões, no norte do Brasil. O hospital regional local recebe pacientes de pelo menos cinco municípios ao seu redor e foi apoiado por MSF com treinamentos para seus profissionais e na adaptação da estrutura para implementar medidas de prevenção e controle de infecções (IPC).

Em São Gabriel da Cachoeira, às margens da bacia do rio Negro, afluente do Amazonas, e distante 852 km de Manaus, trabalhamos entre julho e o início de agosto em um centro de tratamento que ajudou a complementar a capacidade do hospital local dedicado à COVID-19, em um momento de forte incidência da doença na região.

O trabalho em Manaus, realizado nos meses de maio e junho, reforçou a estrutura de atendimento de pacientes graves e moderados de COVID-19, além de atuar com detecção de casos e promoção de saúde em abrigos para a população em situação de rua, migrantes e indígenas. No final do mês de maio, iniciamos a implantação de 12 leitos de UTI e 36 leitos para casos moderados no hospital 28 de Agosto. A equipe de MSF incluiu pessoal especializado em UTI, alguns com experiência prévia no tratamento de COVID-19 em outros países, e implantou novos protocolos para o tratamento não invasivo com oxigênio. Com isso, conseguiu oferecer um ambiente mais seguro para um melhor atendimento clínico.

MSF atuou em seis abrigos para refugiados e pessoas sem moradia na cidade, com sessões de promoção de saúde e vigilância médica para identificar pessoas com suspeita de COVID-19. Em parceria com a prefeitura de Manaus, MSF trabalhou no centro de isolamento e observação para indígenas da etnia warao com casos leves de COVID-19. Como grande parte dessa população, que veio da Venezuela para o Brasil, vive em abrigos da cidade, ela é especialmente vulnerável à doença pela dificuldade de manter medidas adequadas de higiene e de distanciamento social.

 

Foto: MSF

Rio de Janeiro

Nossas equipes realizaram ações de promoção de saúde e triagem em locais frequentados pela população em situação de rua e em restaurantes populares.

Também foram efetuados treinamentos de controle e prevenção de infecções para profissionais de saúde. MSF continua monitorando os dados epidemiológicos e a evolução da pandemia na cidade.

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